segunda-feira, 21 de março de 2011

Do bom e do melhor

Texto de Leila Ferreira 
Jornalista mineira com mestrado em Letras e doutorado em Comunicação que, apesar de doutorada em Londres, optou por viver uma vidinha mais simples em Belo Horizonte

"DO BOM E DO MELHOR"
(Leila Ferreira)

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

O bom, não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que a gente deva me acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. 

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? 

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? 

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? 

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? 

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?


Foto torta, mas feliz
Hawaii - Oahu '05

domingo, 20 de março de 2011

Campanha da Vida

… Cada um cuida da sua. Que tal?

Sim, é difícil isso. A gente nasce cuidando da vida dos outros. Julgando os outros. Mas isso não te dá o direito de apontar essa pessoa e dizer se ela tá certa ou errada.

Ok, se ela tá cometendo um crime, se ela tá fazendo algum mal ou casos particulares do mesmo sentido.

Explico melhor: escolhi minha vida, pra ser do jeitinho que ela é. Nem mais, nem menos. Eu pude fazer isso e é uma benção. Nem todos podem. Sim, essa vida tem coisas boas e ruins, como qualquer outra. Mas como é difícil as pessoas aceitarem…

Tenho seis animais de estimação que amo muito. Eu escolhi isso e as pessoas julgam esse amor. Não entendem e julgam. Não sentem o mesmo, então julgam. Zoam. Que mal estou fazendo ao mundo ou a elas?

Tenho cães com problemas e faço tudo que é preciso pra eles ficarem bem (guarda responsável, conhece?) e sou criticada por gastar meu dinheiro com isso. O dinheiro que eu batalho pra ganhar honestamente. Certamente se investisse em um carro ou em roupas novas, seria até elogiada e admirada.

Não como carne e riem de mim. Me explica? Ah, desculpe, você que é perfeito, eu não. Ah, você fecha a torneira pra não gastar água enquanto escova os dentes. Super consciente. Que tal saber o quanto gasta de água pra cada grama de carne vermelha?

Acordo tarde sempre. Durmo tarde sempre. Escolhi assim pois meu corpo pede isso e o respeitei, me sinto ótima assim. Durmo o mesmo tempo que quase todo mundo, mas sou preguiçosa aos olhos dos julgadores.

Não sou fanática por limpeza. Sim, preciso limpar mais por conta dos cães. Lavo louça, roupa, varro, limpo o chão, mas não sou neura. Eu, particularmente, acho que não vale a pena gastar meu tempo de vida nisso. Tento manter, mas não deixar impecável, pra no outro dia repetir tudo denovo. Pra mim não faz sentido. Se pra você faz, okay.

Zombar do que é diferente de você é querer se auto-afirmar a todo custo, procurando a aprovação do seu semelhante. É tão difícil aceitar que tem pessoas que não seguem o “modo padrão” de way of life? Será que o “errado” não é você? Será que por dentro, eu não estou rindo da sua ignorância? Sim, eu julgo. Eu observo o ser humano e julgo. Mas eu sou educada o suficiente pra não apontar o dedo pra você.


apontar dedo

john
Trecho da música que amo muito No Such Thing, de John Mayer

sábado, 19 de março de 2011

Vida Real x Vida Virtual – Parte II

- Então, você tem loja?

- Tenho sim. Virtual.

- Ah, tá. Então não é loja, loja…

- É sim, mas é virtual.

- Não, quero dizer, não é loja real. Na verdade, então, ela não existe…

- Existe sim. Vê lá! É no mundo virtual.

- Mundo virtual? Mundo só existe um!

- Não. Agora tem dois. Tem o virtual também.

- Ah, mas ele não existe. Não dá pra pegar, entende?

- Você acredita em Deus?

duvida

quinta-feira, 17 de março de 2011

Minha mãe me ensinou



Né?

Aliás, não quero casar nem antes, nem depois.

Mas isso rende outro post!

segunda-feira, 14 de março de 2011

Não gosto de cobrança

"Não gosto que me peçam para ser boa, não me peçam nada, mesmo aquilo que eu posso dar. As relações de dependência me assustam. Não precisem de mim com hora marcada e por um motivo concreto, precisem de mim a todo instante, a qualquer hora, sei ouvir o chamado silencioso da amizade verdadeira, do amor que não cobra, estarei lá sem que me vejam, sem que me percebam, sem que me avaliem."

Martha Medeiros


Hawaii '06
Foto: Vitor Müller


Desejo tanto minha casinha...

Enquanto ela não fica pronta, vou sonhando, arquitetando e planejando cada cantinho.












Fonte: Blog Achados de Decoração

sábado, 12 de março de 2011

Homens X Animais

“É destino de toda verdade ser objeto de ridículo quando exposta pela primeira vez. Era considerado idiotice se supor que homens negros eram realmente seres humanos e tinham que ser tratados como tal. O que uma vez foi considerado estupidez foi reconhecido como verdade. Hoje em dia é considerado exagero se proclamar constantemente o respeito por cada forma de vida, como sendo uma séria exigência de uma ética racional. Mas virá o dia em que as pessoas ficarão espantadas com o fato de que a espécie humana existiu por tanto tempo antes de reconhecer que lesar uma vida irrefletidamente é incompatível com a verdadeira ética. Ética é, sem ressalvas, responsabilidade por tudo o que tem vida”. 

Albert Schweitzer – Teólogo, Músico, Filósofo, Médico e Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1952.


Vida Real x Vida Virtual

Sempre fico pensativa quando as pessoas falam algo do gênero:

- Ah, mas isso é vida virtual, vá viver a vida real.

Ou

- Mas isso é assim na internet, na vida de verdade não é.

Vejamos. Eu, particularmente, tenho meu trabalho na internet. Catálogo, vendas, transações bancárias, burocracia, contato com cliente, fornecedores, etc. Nesse caso, fujo do "ao vivo": o que posso resolver sem sair de casa, pela internet, maravilha!

Também particularmente, tenho uma vida social virtual bem agitada (alô, rede sociais!). Conheci muitos amigos, uns preciosos, outros nem tanto. Quando digo conheci, tem gente que nunca vi ao vivo, mas conheço muito mais do que muita gente "de verdade" (né, Rossana). Na época do mIRC, conversava muito com meu marido-to-be. E tenho certeza que esse programinha nos aproximou tanto, que hoje estamos juntos.

Trabalho sozinha de humanos (com meu 6 peludos) e essa telona me aproxima das pessoas. Fico com o MSN disponível o dia todo pra falar com o marido e clientes, no Twitter com as amigas blogueiras e denovo com algumas clientes, no email atentendo mais clientes e fornecedores, no Orkut, vendendo muito por lá e, futuramente, com a loja virtual pronta. Ou seja, não me sinto sozinha nunca. Tá certo que tenho alma de ermitão, que gosto de ficar sozinha, trabalhando de pijama, de pés descalços. Mas não me sinto sozinha mesmo.

Então, resumindo, no meu caso: meu ganha pão vem do que chamam de vida virtual, minhas amigas interagem comigo por redes sociais (e posso dizer que dou gargalhadas), falo com marido e família por aqui também o dia todo, compartilho minha vida como fazia antigamente, levando um álbum de fotografia pra mostrar a viagem, trabalho em uma ONG de animais praticamente só pela internet hoje em dia (e conseguindo linkar várias adoções dessa maneira), etc, etc. Sim, eu tenho "vida real" também. Essas mesmas amigas vão no shopping daqui a pouco comigo. Esse mesmo marido vem pra casa sim, no final do dia. E milhões de etc.

Então eu lhe pergunto: hoje em dia existe essa separação entre vida real e virtual? Uma tela modifica a nossa relação com as pessoas? Pode até ser. Mas será que não nos aproxima mais, ao invés do contrário?

Tá bom, se você é um avatar num joguinho, faz um personagem num blog, é um bonequinho no SimCity, se faz de bonzinho pra enganar uma solteira encalhada, faz sentido.

Mas pra mim, não existe.

sábado, 5 de março de 2011

Próxima aquisição



Adoro livros que me abram para novas idéias, apesar de que, muitas vezes, felicidade e ignorância andam de mãos dadas. Esse ainda não li, mas foi muito bem indicado. Já está anotado pra próxima passada na livraria.

Ele escreve/questiona sobre o que faz com que algumas pessoas tenham sucesso e outras não. Destino? Oportunidades? Educação? Inteligência? Sorte? Hábitos? Potencial? Diz ele que nenhum desses fatores é determinante nos resultados alcançados. E que, tampouco, há um fator místico ou mágico que faz com que algumas pessoas se tornem ricas, saudáveis, felizes, vivendo uma vida cheia de sentido, enquanto outras nunca encontram o seu espaço. Usando exemplos concretos de pessoas como Gisele Bündchen, Elizabeth Gilbert, John Kennedy, entre outros, o autor mostra o que diferencia as pessoas das demais. 

Parece bom, né? Verei e resenharei, como se diz no mundo bloguístico.


Opa, fantasmas!

Inicio esse blog, falando (escrevendo) sozinha.

Ué, sempre escrevi sozinha. Nunca ninguém leu. Quer dizer, hoje tenho certeza que minha mãe lia meus diários e devia se divertir muito. Tenho todos eles guardados e de vez enquanto me pego lendo e agradecendo por ter tido uma infância e adolescência muito feliz.

Mas aí a vida adulta chega com tudo e trocentas responsabilidades e julgamentos caem nos seus ombros. Não é que você não seja feliz. É que agora a vida pesa. Mas já era previsto, esperado. E aprendi que as flores estão no caminho. Ninguém é feliz o tempo todo. Mas conheço pessoas que são triste todo tempo.

Escrever coloca minhas idéias em ordem, uma espécie de reflexão. Sobre meu mundinho nada perfeito, sobre minhas idéias e estudos, sobre minhas futilidades e paixões, sobre meus planos e ansiedades.

Espero que vocês, fantasmas, gostem de ler, pois eu adoro escrever assim ao vento.

E este post termina assim, sem foco, sem planejamento. Bem como eu sou.