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sábado, 28 de maio de 2011

Desiludido com o século

Quino, o cartunista argentino autor da Mafalda, desiludido com o rumo deste século no que diz respeito a valores e educação, deixou impresso no cartum o seu sentimento:
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Pense!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O que importa

Acho que o mundo precisa de mais pessoas bailarina. As coisas andam feias demais. Falta gentileza, sobra pressa, rancor e cara feia. Fico impressionada com a quantidade de gente que mal dá bom dia. Pessoas que não olham nos olhos, esbarram em você na rua e nem pedem desculpa, tratam garçons e motoristas com ar superior, se sentem melhores que os outros. Na verdade, se achar o máximo é brega e ridículo.

Um sobrenome não é nada. Uma conta recheada não é nada. Um rosto e corpo bonitos são apenas um rosto e corpo bonitos. A gente envelhece. E ninguém é melhor por ser mais belo ou não. Muitas jóias espalhadas pelos pulsos, pescoço e orelhas também não querem dizer absolutamente nada

Longe de mim querer dar lição de moral. Só acho que as pessoas deveriam se preocupar mais com as coisas de dentro. O que tá fora, meu amigo, é completamente perecível.
Do blog http://ichliebechic.blogspot.com

sábado, 30 de abril de 2011

Eu sei, mas não devia

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.


(Marina Colasanti)

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Fotografia de Vitor Müller

segunda-feira, 21 de março de 2011

Do bom e do melhor

Texto de Leila Ferreira 
Jornalista mineira com mestrado em Letras e doutorado em Comunicação que, apesar de doutorada em Londres, optou por viver uma vidinha mais simples em Belo Horizonte

"DO BOM E DO MELHOR"
(Leila Ferreira)

Estamos obcecados com "o melhor". Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do "melhor". Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

O bom, não basta. O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor". Isso até que outro "melhor" apareça - e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante. Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego. Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter. Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos. Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis. Não que a gente deva me acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente. 

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência? 

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto? 

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro? 

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"? 

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos. A casa que é pequena, mas nos acolhe. O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria. A TV que está velha, mas nunca deu defeito. O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos". As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo. O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem. O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso? Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?


Foto torta, mas feliz
Hawaii - Oahu '05

domingo, 20 de março de 2011

Campanha da Vida

… Cada um cuida da sua. Que tal?

Sim, é difícil isso. A gente nasce cuidando da vida dos outros. Julgando os outros. Mas isso não te dá o direito de apontar essa pessoa e dizer se ela tá certa ou errada.

Ok, se ela tá cometendo um crime, se ela tá fazendo algum mal ou casos particulares do mesmo sentido.

Explico melhor: escolhi minha vida, pra ser do jeitinho que ela é. Nem mais, nem menos. Eu pude fazer isso e é uma benção. Nem todos podem. Sim, essa vida tem coisas boas e ruins, como qualquer outra. Mas como é difícil as pessoas aceitarem…

Tenho seis animais de estimação que amo muito. Eu escolhi isso e as pessoas julgam esse amor. Não entendem e julgam. Não sentem o mesmo, então julgam. Zoam. Que mal estou fazendo ao mundo ou a elas?

Tenho cães com problemas e faço tudo que é preciso pra eles ficarem bem (guarda responsável, conhece?) e sou criticada por gastar meu dinheiro com isso. O dinheiro que eu batalho pra ganhar honestamente. Certamente se investisse em um carro ou em roupas novas, seria até elogiada e admirada.

Não como carne e riem de mim. Me explica? Ah, desculpe, você que é perfeito, eu não. Ah, você fecha a torneira pra não gastar água enquanto escova os dentes. Super consciente. Que tal saber o quanto gasta de água pra cada grama de carne vermelha?

Acordo tarde sempre. Durmo tarde sempre. Escolhi assim pois meu corpo pede isso e o respeitei, me sinto ótima assim. Durmo o mesmo tempo que quase todo mundo, mas sou preguiçosa aos olhos dos julgadores.

Não sou fanática por limpeza. Sim, preciso limpar mais por conta dos cães. Lavo louça, roupa, varro, limpo o chão, mas não sou neura. Eu, particularmente, acho que não vale a pena gastar meu tempo de vida nisso. Tento manter, mas não deixar impecável, pra no outro dia repetir tudo denovo. Pra mim não faz sentido. Se pra você faz, okay.

Zombar do que é diferente de você é querer se auto-afirmar a todo custo, procurando a aprovação do seu semelhante. É tão difícil aceitar que tem pessoas que não seguem o “modo padrão” de way of life? Será que o “errado” não é você? Será que por dentro, eu não estou rindo da sua ignorância? Sim, eu julgo. Eu observo o ser humano e julgo. Mas eu sou educada o suficiente pra não apontar o dedo pra você.


apontar dedo

john
Trecho da música que amo muito No Such Thing, de John Mayer

sábado, 19 de março de 2011

Vida Real x Vida Virtual – Parte II

- Então, você tem loja?

- Tenho sim. Virtual.

- Ah, tá. Então não é loja, loja…

- É sim, mas é virtual.

- Não, quero dizer, não é loja real. Na verdade, então, ela não existe…

- Existe sim. Vê lá! É no mundo virtual.

- Mundo virtual? Mundo só existe um!

- Não. Agora tem dois. Tem o virtual também.

- Ah, mas ele não existe. Não dá pra pegar, entende?

- Você acredita em Deus?

duvida

sábado, 12 de março de 2011

Homens X Animais

“É destino de toda verdade ser objeto de ridículo quando exposta pela primeira vez. Era considerado idiotice se supor que homens negros eram realmente seres humanos e tinham que ser tratados como tal. O que uma vez foi considerado estupidez foi reconhecido como verdade. Hoje em dia é considerado exagero se proclamar constantemente o respeito por cada forma de vida, como sendo uma séria exigência de uma ética racional. Mas virá o dia em que as pessoas ficarão espantadas com o fato de que a espécie humana existiu por tanto tempo antes de reconhecer que lesar uma vida irrefletidamente é incompatível com a verdadeira ética. Ética é, sem ressalvas, responsabilidade por tudo o que tem vida”. 

Albert Schweitzer – Teólogo, Músico, Filósofo, Médico e Ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1952.